Nosso Jornal

O Jornalismo tem uma ambivalência fundamental que condiciona a própria existência. Por um lado, funciona para reproduzir subjetiva e objetivamente a ordem social, contribuindo com a tarefa de preparar os indivíduos para a adesão ao sistema. Por outro, é produto da evolução do gênero humano, suprindo profundas necessidades da sociedade e ultrapassando, pelas suas próprias especificidades, a mera funcionalidade à ordem social.

O Jornal O Pasquim, tomando consciência dessa ambivalência fundamental jornalística, faz o esforço de trabalhar apenas o polo universal da ambivalência, o polo que põe à vista a potencialidade que tem o jornalismo em transformar a realidade e mudar o ordenamento social. Para excluir o polo reprodutor da ordem das nossas atuações, precisaremos construir uma nova maneira de fazer jornalismo, mesmo sem perceber nitidamente quais elementos do atual jornalismo contribuem para a reprodução da ordem social. Reconhecemos os limites das técnicas jornalísticas, dos critérios de noticiabilidade e das formas de angariar recurso por meio de governos e de empresas.

É com muita responsabilidade que falamos em construir uma nova maneira de fazer jornalismo. Nossas plataformas e nosso grupo poderão servir como laboratórios dessa construção, sem afetar o nosso horizonte: fazer jornalismo independente, que considera profundamente o interesse público, que se compromete com os direitos humanos e que se coloca ao lado do povo historicamente reprimido.

©2018 by O Pasquim. Todos os direitos reservados.