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Projeto ‘Praia Limpa’ estimula preservação ambiental nas praias do litoral sul de Pernambuco

O projeto pretende conscientizar a população local sobre o descarte adequado do lixo

Primeira mobilização do projeto. Foto: Carolaine Almeida

Por Larissa Silva

O Projeto Praia Limpa, criado pela população de Barra de Sirinhaém, já realizou duas mobilizações coletivas. A primeira mobilização ocorreu no dia dois de dezembro de 2018, na praia de Barra de Sirinhaém, e contou com uma média de 50 voluntários, incluindo crianças.


Lixo recolhido na segunda mobilização do projeto. Foto: Vanessa Maria

A segunda mobilização foi realizada no dia 24 de fevereiro de 2019, na Ilha de Santo Aleixo, contando com a participação de 20 voluntários. Segundo os organizadores do projeto, já foi recolhido da praia de Barra de Sirinhaém meia tonelada de lixo. Dentre os materiais mais retirados têm-se vidro e plástico. Os voluntários pensam em expandir o projeto para as praias vizinhas e já organizam a próxima ação. O projeto foi criado com a finalidade de preservar a fauna marinha e conscientizar a comunidade de Barra de Sirinhaém.


José Henrique, subprefeito

Segundo o subprefeito e responsável pela limpeza urbana na praia de Barra do Sirinhaém, José Henrique, a limpeza da praia era realizada todo final de semana, mas devido à grande chegada de turistas a limpeza agora é realizada toda tarde. Afirmando que foram colocados dois pontos de coleta na praia.














Subprefeito, José Nadilson

O subprefeito e responsável pela limpeza urbana nas praias de Aver o mar, Guaiamum e Guadalupe, afirmou que a limpeza é realizada todas as tardes e que apesar de incentivar o descarte adequado do lixo a população insiste em jogar o lixo em local inadequado. O subprefeito José Nadilson também afirmou que pretende adequar um local para a coleta, mas por enquanto só existem tonéis no decorrer da praia para o descarte do lixo.









Os dois responsáveis pela limpeza urbana afirmaram que o lixo não reciclável é direcionado para o aterro sanitário da cidade de Rio Formoso e o lixo reciclável é enviado para a cidade de Sirinhaém



PESQUISADORES E BIÓLOGOS ALERTAM SOBRE POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DO DESCARTE INADEQUADO DO LIXO

Praias em todo o Brasil ficam lotadas durante a temporada de verão. Esse fenômeno não é diferente nas praias do litoral sul de Pernambuco: tanto a população local como os turistas aumentam o fluxo de visitação durante esse período. Ao mesmo tempo, são retiradas toneladas de lixo das praias. Uma pesquisa brasileira, realizada pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), em parceria com o Instituto Socioambiental dos plásticos (Plastivida), afirma que mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras é composto por objetos plásticos. Nas praias do litoral sul de Pernambuco, a situação não é diferente, ao fazer uma pequena caminhada é possível notar a grande quantidade de lixo orgânico e reciclável que ainda é descartado de forma inadequada.


Segundo a Bióloga Taynã Olímpya, o risco do descarte inadequado do lixo expande-se para os banhistas, no qual ficam vulneráveis a lesões com resíduos sólidos perfurantes. O acúmulo de lixo nas praias pode servir de atrativo para vetores de doenças, como moscas necrófagas que são atraídas pelos resíduos e podem acabar pousando no alimento da população e contaminá-lo. Além disso, a presença dessas moscas traz riscos de miíase para animais e seres humanos que moram na região.


Taynã já atuou na ONG Ecoassociados, que lida com conservação de tartarugas no litoral de Ipojuca. Ela explica que os efeitos negativos de uma embalagem plástica deixadas na praia são imensuráveis:

A população esquece que os únicos seres que produzem lixo são os seres humanos. Para os animais nada é lixo, portanto tudo é comida. Por isso é comum encontrar casos de animais mortos com o estômago cheio de plástico. O litoral de Ipojuca-PE, por exemplo, é muito utilizado por tartarugas marinhas como local de desova. Elas aproveitam a época do verão para colocar seus ninhos na areia, após o período de incubação, os filhotes emergem da areia e caminham sozinhos em direção ao mar. Além do perigo dos predadores naturais, eles enfrentam em sua caminhada obstáculos feitos pelo lixo deixado na areia
A sociedade tem o hábito de pensar que só porque não se vê o lixo, ele não é mais um problema. Mas algo controlável são as atitudes dos seres humanos, como a simples ação de coletar e fazer a destinação correta de todo o lixo que foi produzido enquanto esteve na praia

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